Brasil

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9 de nov de 2007

Enquanto o dilúvio não vem

Folha de S. Paulo
Eliane Cantanhêde

BRASÍLIA - Quando a Petrobras avisa que vai aumentar o preço do gás em até 25%, leia-se: vai ter racionamento branco. Pela lógica, toda vez que que você quer diminuir o consumo, aumenta o preço. Todos os passos do governo, aliás, demonstram que a possibilidade de desabastecimento é bastante alta. O consumidor que se cuide. O primeiro passo foi engolir em seco e decidir investir novamente na exploração de gás na Bolívia, apesar de toda a má-criação do presidente Evo Morales, que desapropriou as refinarias brasileiras, com o requinte de botar o Exército na parada. Voltar a investir no país certamente não é porque a diplomacia brasileira é boazinha, a Bolívia é pobrezinha e Morales é muy amigo. É o medo, puro e simples. O segundo passo foi a decisão de reduzir a oferta no Rio e em São Paulo para abastecer as usinas termelétricas, enquanto São Pedro não colabora e não manda um dilúvio. A CEG (RJ) e a Comgás (SP) foram informadas. Quem boiou, a seco, foram os consumidores. Uma solução agora passa pelas chuvas e pela recuperação do nível dos reservatórios. Mas é tempo de retomar a discussão sobre a energia nuclear, vetada no primeiro mandato e estimulada por Lula no segundo, além das energias alternativas. E aprender que nem você nem país nenhum deve se ancorar no que não tem. Senão fica nas mãos dos Evo Morales e rezando pelo poço de Tupi, salvação da lavoura. Efeito colateral: Dilma Rousseff nunca foi candidata, não tem origem no PT e sua classificação como presidenciável é sempre acompanhada do adjetivo "competente". Mas ela é a "dona" do setor de energia e do PAC. A energia evapora. E, ontem, a ONG Contas Abertas avisou que, em 10 meses, o governo só reservou 50% da verba prevista para o programa mais ambicioso do governo e da própria Dilma. Assim, ministra, fica difícil viabilizar qualquer candidatura.
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