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9 de mai de 2008

PF encontra novos desvios de recursos

Documentos localizados pela Polícia Federal indicam que mais uma ONG recebeu dinheiro do esquema de financiamentos do banco estatal. Organização da mulher de Paulinho ganhou R$ 1,2 milhão para construir sede
Nas buscas feitas durante a Operação Santa Tereza, a Polícia Federal encontrou documentos que indicam que mais uma organização não-governamental (ONG) recebeu dinheiro do esquema de desvios em financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Uma entidade, que segundo a PF estaria ligada ao movimento sindical, teve um cheque de R$ 82 mil depositado em sua conta. Antes disso, investigadores descobriram uma transferência bancária para a ONG Meu Guri, da mulher do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), Elza de Fátima Costa Pereira. A instituição também ganhou R$ 1,2 milhão do BNDES para construir sua sede.
Desde o início das investigações, em dezembro passado, a PF tinha indícios de que o esquema usava ONGs em seus negócios. Escutas telefônicas reforçaram os indícios, que aumentaram com a apreensão de um comprovante de transferência bancária de R$ 37,5 mil, feito por João Pedro de Moura ao Centro de Atendimento Biopsicossocial Meu Guri. Moura foi assessor de Paulinho da Força, e continua preso por ser considerado um dos principais envolvidos nos desvios do BNDES, e a instituição é presidida pela mulher do parlamentar.
Em outras buscas, a PF apreendeu canhotos de cheques que foram emitidos ao Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Pesquisa Política, Social e Cultural do Trabalhador – Luta e Solidariedade. Uma pesquisa feita pela polícia indicou que o responsável seria Eleno José Bezerra, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, que também figura como tesoureiro do Centro Meu Guri. O cheque foi emitido pelo empresário Marcos Vieira Mantovani, dono de uma consultoria por onde eram negociados os financiamentos do BNDES. Ele continua preso, junto com Moura e outros dois envolvidos no esquema.
O destinatário do cheque, que foi emitido no dia 31 de março passado, era um escritório de advocacia, que o depositou na conta do Instituto, segundo policiais federais que participam das investigações. Nas buscas, a PF também encontrou diversas outras movimentações em nome de pessoas que, até agora, não foram identificadas, mas que, por serem somas acima de R$ 40 mil, há a suspeita de que tratavam de laranjas. Por meio de sua assessoria, Bezerra afirmou que não iria falar sobre o assunto, já que desconhecia a existência do Instituto, que está localizado na mesma rua do sindicato, segundo o levantamento da Polícia Federal.
Ontem, Elza Pereira, que também é tesoureira do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, presidido por Eleno Bezerra, emitiu uma nota em nome do Centro Meu Guri, afirmando que o dinheiro de Moura era uma doação feita a instituição. Em troca, o ex-assessor de seu marido retomaria um imóvel que ele havia dado para a entidade, há algum tempo, e depois decidiu readquiri-lo. O Centro foi construído com recursos do BNDES, que liberou uma única parcela de R$ 1,2 milhão em setembro de 2001, quando Moura fazia parte do Conselho Administrativo do banco. O BNDES confirmou ontem a liberação da verba, que era de um fundo social.
Ontem, a Polícia Federal encaminhou um documento ao BNDES solicitando informações sobre o dinheiro liberado ao Centro Meu Guri, entre outras instituições. Além disso, vai pedir a quebra de sigilo bancário de várias ONGs, entre elas a presidida por Elza Pereira.
CâmaraO corregedor da Câmara dos Deputados, Inocêncio Oliveira (PR-PE), classificou ontem como "grave" a situação de Paulinho da Força. "A situação do deputado Paulo Pereira da Silva é grave porque a cada dia as denúncias se avolumam e aparecem na imprensa", afirmou. Para Inocêncio, a revelação de uma doação de um dos envolvidos no esquema para a ONG da mulher de Paulinho complica a situação do parlamentar. O caso, disse, pode ser enviado diretamente ao Conselho de Ética. O corregedor fez a notificação para o deputado apresentar sua defesa. Paulinho tem cinco dias para enviar seu posicionamento formal. Se a definição de Inocêncio for pela cassação ou suspensão do mandato, o caso vai ao Conselho de Ética.
TOSTO É EXONERADOO governo publicou ontem no Diário Oficial da União a exoneração "a pedido" de Ricardo Tosto da função de membro do Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Tosto era representante da Força Sindical no Conselho, e é suspeito de integrar esquema de cobrança de propina para liberar financiamentos do BNDES. Ele pediu afastamento do cargo, depois de deflagrada a Operação Santa Tereza, da Polícia Federal, na qual foram presas 10 pessoas, entre elas Ricardo Tosto, que foi solto em seguida, mas continua sendo investigado.
Fonte: Correio Braziliense
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