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28 de mai de 2008

Casarões de Salvador

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Insegurança, abandono, ocupação irregular são um retrato urbano do Brasil. O que deveria ser patrimônio cultural vira mais um exemplo de desordem e negligência. O Centro Histórico de Salvador se transformou em um labirinto de ruínas. Os velhos casarões ameaçam desabar a qualquer momento, e os projetos de recuperação são adiados pela burocracia.
Quem olha a beleza do patrimônio não imagina o que está escondido entre os casarões seculares de Salvador: abandono, ruínas e ameaças. Passar por algumas das ruas desertas e estreitas é enfrentar o risco dos desabamentos.
A Defesa Civil de Salvador vistoriou recentemente 415 imóveis do Centro Histórico, e mais de 50% precisam intervenções urgentes. Mas os problemas começam pela identificação dos proprietários. “Alguns proprietários já não existem mais. Outros viajaram e estão no exterior”, Francisco Costa Jr. da Defesa Civil.
Outro problema é que todos os prédios ameaçados são tombados pelo Patrimônio Histórico, e não podem ser alterados. Nem o hotel que pegou fogo na Barroquinha pode passar por intervenções não autorizadas. Parte do prédio ainda resiste, mas ameaça os comerciantes da rua e quem circula pela área. “A gente prefere correr o risco do que fechar a loja, se a gente sobrevive disso aqui”, afirmou a comerciante Ana de Jesus.
Demolição, nem pensar. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) não permite. A recuperação da fachada e até do interior dos prédios também depende de autorização. “Alterações precisarão passar pelo crivo da instituição para saber se de fato elas repercutem em uma perda de valor cultural ou se elas são passíveis de aprovação ou não interferir naquilo que deve ser preservado”, explicou o superintendente do Iphan Leonardo Frangola.
São quase 200 imóveis condenados de acordo com os cálculos da Defesa Civil. Ao todo, 82 são considerados de alto risco. Vários desses imóveis abrigam famílias inteiras. Entre as ruínas de dois prédios que desabaram há vários anos, as paredes ainda estão caindo. Na área, conhecida por Julião, na cidade baixa, 20 famílias convivem com os escombros e com o medo de novos acidentes a qualquer momento. Tudo no local é improvisado. As escadas de madeira velha são amarradas com fios e sacolejam a cada degrau.
A desempregada Marlene Pereira ocupa um cubículo de cinco metros quadrados cheio de rachaduras na paredes e no piso. “Não consigo dormir aqui, porque tenho medo de fica soterrada. Tira 20 minutos de sono. Tira mais 10 e acorda, porque a toda hora cai. Não tenho para onde ir”, contou a senhora.
Não há números exatos, mas a Defesa Civil calcula que, pelo menos, 200 pessoas estão abrigadas em prédios e casarões que a qualquer momento podem desabar.
Fonte: Jornal Bom Dia Brasil REDE GLOBO
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