Brasil

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7 de nov de 2007

BRA - Transportes aéreos.

Jornal Bom Dia Brasil
Rede Globo

Assista o vídeo referente a BRA
Cada dia, uma turbulência – a crise aérea já voou um longo percurso pelos céus e aeroportos do Brasil, pelos gabinetes de governo e de empresas também.
Na terça-feira (6), mais um sinal da precariedade extrema desse serviço essencial ao país: uma companhia deixou de funcionar, demitiu os funcionários e, literalmente, saiu do ar. A BRA, a terceira maior empresa em operação, deixou passageiros longe de casa, descumprindo os contratos, deu poucas explicações e surpreendeu os órgãos do governo.
Veja o comentário de Alexandre Garcia
Quem ficou com o bilhete? Mais um mico na mão. Ninguém sabia de nada. Ao todo, 1,1 funcionários ficaram sem emprego de uma hora para outra. Tinha gente trabalhando sem saber que já estava na rua e tem gente viajando e não sabe bem como vai voltar para casa.
Uma aeromoça da BRA falou com exclusividade para o Bom Dia Brasil sobre as condições em que a empresa operava. Há mais de dois anos na empresa, ela ficou sabendo pela televisão que estava desempregada.
“Cheguei a ligar para a companhia aérea, mas não informaram nada. Ficaram dando desculpas e ninguém informa nada”, disse ela.
Segundo a funcionária, nos últimos dois meses a situação estava cada vez mais precária.
“Muitas vezes não tinha nem o que servir para o passageiro em três horas de vôo. Várias vezes deixamos de comer a nossa refeição que a gente comprava fora da aeronave, porque para a gente também não tinha mais nada, para dar para criança. No finalzinho, só serviam água e olhe lá ainda”, conta.
A aeromoça questiona a segurança dos aviões.
“É uma situação que a gente vê que não tinha nada para servir dentro da aeronave, como será que anda a manutenção? São aviões que já tinham históricos de que poderia acontecer alguma coisa. Era histórico de despressurizações, principalmente despressurizações. Graças a Deus, a empresa parou numa hora ainda que não tivesse acontecido nada de grave, porque, se tivesse continuado, com certeza poderia ocorrer mais uma vez no Brasil outra tragédia”, comentou a aeromoça.
Ela diz que faltavam funcionários.
“Quantas vezes a gente descia junto com os passageiros para levar até outra aeronave, porque não tinha funcionário em solo. A gente precisa receber o que a gente trabalhou. Eu só quero isso”, continuou a aeromoça.
As demissões também pegaram de surpresa os sindicalistas, que temem que uma cena conhecida no setor se repita.
“O que tememos é que, a exemplo dos trabalhadores da Vasp, da TransBrasil e da Varig, os trabalhadores da BRA tenham o mesmo fim: vão sair com uma mão na frente e outra atrás e não receberão seus direitos trabalhistas. Empresa não pode fazer greve. Pode ser que eles estejam tentando com artifício, fazendo um nocaute, para pressionar o governo para colocar dinheiro no negócio”, afirmou o presidente da Federação de Trabalhadores de Transportes Aéreos, Uébio José da Silva.
A consultora no mercado de aviação, Amarilis Romano, diz que a saída da BRA do mercado às vésperas das festas de Natal e de Ano Novo pode dificultar a vida de quem pretende viajar.
“A situação dos vôos do cliente e do consumidor que quer voar vai ficar bem mais complicada, porque ele deixou de ter uma opção importante”, observa Amarilis Romano.
A empresa era conhecida por oferecer passagens mais baratas. “A BRA tem preço melhor. Por isso, viemos direto para a BRA comprar”, comentou um senhor.
A BRA tem uma frota de dez aeronaves. Até terça-feira (6), seis estavam em operação. Com a suspensão dos vôos, a partir desta quarta (7) os consumidores que compraram passagens serão reembolsados ou reacomodados em outras companhias.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou que vai pedir prioridade às empresas aéreas para aqueles passageiros que já usaram o bilhete de ida e agora precisam retornar ao ponto de origem. Nos aeroportos, as lojas da BRA estão fechadas. Horas depois do anúncio, ainda tinha gente querendo comprar passagem.
“Acho isso um absurdo. Fui surpreendida”, comentou uma passageira. “Na verdade, acho que existe aí uma omissão de informações”, disse uma jovem.
O consumidor que procurou informações pela internet encontrou o site da companhia fora do ar. Ficou só uma mensagem da empresa aérea informando um endereço eletrônico para contato e um número de telefone, que passou boa parte da noite desta terça com sinal de ocupado. Esta é uma dificuldade a mais para os 70 mil passageiros que compraram bilhetes da companhia até março do ano que vem.
A Anac diz que quer uma solução para os passageiros da BRA, mas o que se vê nos aeroportos é uma situação bem diferente. No Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, os guichês da BRA amanheceram vazios – sem passageiros, sem funcionários e também sem qualquer tipo de informação.
Até o nome da empresa aérea foi retirado dos painéis que informam embarques e desembarques no aeroporto. A Anac disse que vai tentar acomodar os passageiros que compraram passagens de ida e volta em vôos de outras companhias aéreas.
Quanto aos que quem compraram pacotes de viagens, por lei a BRA tem até 30 dias para fazer o reembolso. Nesta terça-feira, uma equipe da Anac fará uma vistoria no centro de operações da BRA. A Anac proibiu a BRA de vender novas passagens.
A equipe de reportagem do Bom Dia Brasil entrevistou um grupo de 21 brasileiros que viajou para Milão com a BRA e que deveria ter embarcado de volta na segunda-feira (5), mas não conseguiu. A passageira Gabriela disse que eles foram levados para o aeroporto e devem embarcar dentro de uma hora em um vôo da TAM, que vem para São Paulo.
Mas o drama ainda não está totalmente encerrado: como a BRA reservou lugares na classe econômica da TAM, a quantidade de bagagem permitida é menor. Por isso, muitos passageiros na Itália abriram as malas para jogar o excesso de bagagem fora.

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